As alianças PAI-Terra Ranka e API-Cabas Garandi acusaram o Primeiro-ministro de transição, Ilídio Vieira Té, de promover “manobras divisionistas e dilatórias” com o objetivo de confundir a opinião pública. A reação surge na sequência das declarações proferidas pelo chefe do Governo a 21 de abril.
Num comunicado divulgado esta terça-feira, 22 de abril, assinado pelo gabinete do ex-candidato presidencial Fernando Dias da Costa, as coligações classificam como “absolutamente inaceitável” qualquer tentativa de manipulação da opinião pública nacional e internacional. No centro das críticas está a afirmação de Ilídio Té de que Fernando Dias da Costa é um “cidadão livre”, considerada pelas alianças como uma “grave distorção dos factos”.
Segundo o documento, Fernando Dias terá sido alvo de “atos abusivos e arbitrários”, incluindo a sua retenção nas instalações da Embaixada da Nigéria e na própria residência, situações que, afirmam, configuram violações dos princípios fundamentais do Estado de Direito.
As coligações contestam igualmente a alegação de que Domingos Simões Pereira, presidente da Assembleia Nacional Popular e líder do PAIGC, esteja a ser alvo de um processo regular no Tribunal Militar. De acordo com o comunicado, Simões Pereira terá sido privado da liberdade “em condições desumanas” na 2.ª Esquadra do Ministério do Interior, sendo posteriormente mantido sob restrições domiciliárias “não por decisão judicial, mas por determinação das atuais autoridades de transição”.
No mesmo documento, a PAI-Terra Ranka e a API-Cabas Garandi apelam ao Alto Comando Militar (ACM), liderado pelo general Horta Inta-a, e às forças de defesa e segurança para que cessem todas as restrições impostas aos líderes políticos. As alianças exigem ainda a garantia da liberdade de expressão para todos os cidadãos, sublinhando que manifestações de apoio ao ex-candidato Umaro Sissoco Embaló têm decorrido sem entraves.
Por fim, as coligações consideram que as declarações do Primeiro-ministro, nomeadamente sobre um alegado contacto direto com Fernando Dias, visam “desviar a atenção dos factos”, denunciando o que classificam como “utilização de falsidades para fins de autopromoção” e reiterando o compromisso com a reposição da legalidade democrática.