A Organização Marítima Internacional apelou à “máxima cautela” por parte das embarcações que operam no Oriente Médio, na sequência do anúncio de um plano dos Estados Unidos para escoltar navios comerciais em zonas de risco. A iniciativa, conhecida como “Projeto Liberdade”, visa garantir a passagem segura de navios, mas a agência da ONU manifesta reservas quanto à sua eficácia a longo prazo.
Apesar de reconhecer a importância de proteger os trabalhadores marítimos afetados pelo conflito, a organização sublinha que escoltas navais não representam uma solução sustentável. Para a OMI, apenas a diplomacia e a redução das tensões poderão garantir segurança duradoura numa região marcada por instabilidade crescente e riscos constantes.
Atualmente, cerca de 800 embarcações encontram-se retidas no Estreito de Ormuz, incluindo petroleiros, graneleiros e porta-contentores. Estima-se que aproximadamente 20 mil marinheiros estejam bloqueados nesta área, enfrentando ameaças como ataques com mísseis, destroços e escassez de bens essenciais como água e alimentos.
No conjunto do Golfo Pérsico, o número de navios afetados aproxima-se dos 3 mil, ampliando significativamente o impacto humano da crise. Embora algumas operações de repatriação já tenham sido realizadas, milhares de trabalhadores continuam em situação vulnerável, o que levanta preocupações humanitárias urgentes.
Em paralelo, outras agências das Nações Unidas reforçam a resposta à crise nos países vizinhos. No Líbano, continuam os esforços de assistência a deslocados, enquanto na Faixa de Gaza decorrem iniciativas de recuperação, incluindo apoio psicossocial e proteção de infraestruturas essenciais. A ONU alerta que, sem uma solução política abrangente, os riscos para civis e trabalhadores na região deverão persistir.