ONU alerta: escoltas navais no Estreito de Ormuz não garantem segurança duradoura

A Organização Marítima Internacional, agência das Nações Unidas, alertou que as escoltas navais no Estreito de Ormuz não constituem uma solução sustentável para a crise de segurança marítima na região. O aviso surge num contexto de crescente tensão entre o Irão e os Estados Unidos, com sucessivas acusações de ataques e incidentes envolvendo navios comerciais e militares.

Desde o final de fevereiro, foram registados pelo menos 41 incidentes que afetaram embarcações no Golfo Pérsico, no Golfo de Omã e no Estreito de Ormuz. Entre os casos mais recentes, destacam-se ataques a um petroleiro ao largo dos Emirados Árabes Unidos e a um graneleiro próximo do território iraniano. A situação tem levado autoridades internacionais a recomendar “máxima cautela” às embarcações que operam na zona.

Cerca de 800 navios permanecem retidos ou condicionados pelas restrições de segurança, envolvendo aproximadamente 20 mil marinheiros que continuam expostos a riscos como mísseis, destroços e possíveis escassezes de alimentos e água. No total, estima-se que cerca de 3 mil embarcações operem atualmente na região, evidenciando a dimensão do impacto no comércio global e nas cadeias de abastecimento.

Apesar de os Estados Unidos terem anunciado uma operação para “acompanhar” navios na região, a OMI considera que medidas militares não resolvem o problema de fundo. A agência defende que apenas a desescalada das tensões e um acordo diplomático de longo prazo poderão garantir a segurança dos trabalhadores marítimos e a estabilidade das rotas comerciais.

Entretanto, o impacto da crise estende-se também ao plano humanitário, nomeadamente no Líbano, onde o sistema de saúde enfrenta forte pressão. Várias unidades hospitalares continuam encerradas ou a funcionar parcialmente, enquanto a escassez de medicamentos e de recursos médicos agrava o risco para populações vulneráveis. A ONU alerta que, sem reforço de financiamento e acesso humanitário, a situação poderá deteriorar-se ainda mais nas próximas semanas.

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