O pré-candidato à presidência do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), José Carlos de Almeida, observou que a persistência da corrupção no país está profundamente ligada à maneira como a sociedade encara e, em muitos casos, valoriza os seus protagonistas.
Foi através de um artigo publicado nas redes sociais, intitulado “Os Angolanos & a Corrupção — ‘Que vivam os ladrões de colarinho branco! Malditos os gatunos de galinha!’”, que o também advogado partilhou um retrato crítico das atitudes sociais face a práticas corruptas. Neste âmbito, apontou para uma aparente normalização e até admiração por indivíduos envolvidos em esquemas ilícitos.
José Carlos de Almeida referiu ser frequente observar cidadãos a enaltecer o estilo de vida de figuras associadas à corrupção, destacando património, viaturas e eventos sociais de grande dimensão.
“Muitas pessoas gabam-se das festas pomposas proporcionadas pelos corruptos”, declarou, acrescentando que há também uma valorização simbólica das ligações familiares a estes indivíduos.
O político alertou que este tipo de comportamento social contribui para a perpetuação do fenómeno, incentivando potenciais infratores. Mencionou igualmente desigualdades no sistema judicial, ao indicar que processos relacionados com corrupção tendem a arrastar-se no tempo, enquanto crimes de menor impacto económico, como furtos, são julgados com maior rapidez.