O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) alertou a União Europeia e o Espaço Económico Europeu para o cumprimento das metas definidas pelas Nações Unidas para combater o VIH, a tuberculose, as hepatites virais e as infecções sexualmente transmissíveis até 2030.
Num relatório divulgado esta quarta-feira, o organismo europeu refere que milhões de pessoas são afetadas por estas doenças evitáveis, responsáveis por mais de 59 mil mortes anuais na região. Embora tenha sido registada uma redução da mortalidade associada ao VIH e à tuberculose, o ritmo de progresso permanece insuficiente para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela ONU.
O relatório destaca ainda que as mortes relacionadas com as hepatites B e C representam cerca de 90% dos óbitos associados a estas doenças na União Europeia e não mostram sinais de melhoria. Ao mesmo tempo, os diagnósticos de infecções sexualmente transmissíveis aumentaram significativamente na última década, com os casos de sífilis a duplicarem e os de gonorreia a mais do que triplicarem.
O ECDC alerta também para o crescimento dos casos de sífilis congénita, transmitidos pela mãe para filho durante a gravidez, que aumentaram quase 80% entre 2023 e 2024. A agência considera que a escassez de dados fiáveis sobre hepatites e IST dificulta o acompanhamento da evolução epidemiológica e a definição de respostas de saúde pública.
Perante este cenário, o organismo europeu defende um reforço urgente do investimento em prevenção, testagem e tratamento, bem como a melhoria dos sistemas de monitorização. Segundo Bruno Ciancio, responsável da unidade de doenças transmissíveis do ECDC, a Europa apresenta as ferramentas para combater estas infeções, mas os serviços continuam a não chegar a todas as leis que eles desejam.