Os preços internacionais dos alimentos voltaram a subir em abril pelo terceiro mês consecutivo, impulsionados sobretudo pelo aumento dos preços dos óleos vegetais, dos cereais e do arroz, revelou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Segundo a agência, as perturbações provocadas pela crise no Estreito de Ormuz e os elevados custos da energia estão a pressionar os mercados agrícolas globais.
O Índice de Preços dos Alimentos da FAO atingiu os 130,7 pontos em abril, registando uma subida de 1,6% face ao mês anterior e de 2% em comparação com o mesmo período de 2025. O aumento foi particularmente significativo no setor dos óleos vegetais, cujo índice cresceu 5,9%, alcançando o valor mais elevado desde julho de 2022.
A FAO explica que a subida dos preços dos óleos de palma, soja, girassol e canola está ligada ao aumento da procura por biocombustíveis, impulsionada pelos preços elevados do petróleo bruto e por incentivos governamentais em vários países produtores. Ao mesmo tempo, persistem preocupações quanto à redução da produção no Sudeste Asiático.
Os preços dos cereais também registaram aumentos moderados. O trigo subiu devido às preocupações com a seca nos Estados Unidos e na Austrália, enquanto o milho foi afetado por problemas climáticos no Brasil e nos EUA. A organização destaca ainda que o encerramento efetivo do Estreito de Ormuz continua a perturbar o fornecimento mundial de fertilizantes, aumentando os custos de produção agrícola.
Apesar das tensões, a FAO considera que os sistemas agroalimentares globais continuam relativamente resilientes graças aos níveis robustos de reservas e à oferta acumulada das últimas colheitas. Ainda assim, alerta que as incertezas permanecem elevadas, sobretudo devido ao impacto prolongado da crise energética e logística nos mercados internacionais.
A organização prevê atualmente uma produção mundial de cereais de cerca de 3.040 milhões de toneladas em 2025/26, representando um crescimento de 6% face ao ano anterior. No entanto, sublinha que os custos mais elevados da energia e dos fertilizantes poderão afetar futuras colheitas e agravar a pressão sobre os preços dos alimentos nos próximos meses.