FAO pede normas globais para tornar mais seguro o uso de plásticos reciclados em alimentos

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura alertou para a necessidade urgente de criar normas internacionais harmonizadas que garantam a segurança do uso de plásticos reciclados em embalagens alimentares. Segundo um novo relatório divulgado esta semana, o reaproveitamento destes materiais pode ajudar a combater a crise global dos resíduos plásticos, mas exige controlos rigorosos para evitar riscos químicos nos alimentos.

O estudo destaca que as embalagens alimentares desempenham um papel essencial nos sistemas alimentares modernos, ajudando a conservar os produtos, prolongar a validade e reduzir o desperdício. No entanto, os especialistas alertam que os plásticos reciclados podem conter contaminantes adicionais, incluindo metais pesados, retardadores de chama e substâncias químicas persistentes, resultantes do processo de reciclagem ou da utilização anterior dos materiais.

De acordo com a FAO, os materiais reciclados destinados ao contacto com alimentos podem ser tão seguros quanto os plásticos novos, desde que sejam submetidos a processos rigorosos de limpeza, descontaminação e avaliação regulamentar. O responsável de Segurança e Qualidade Alimentar da organização, Vittorio Fattori, afirmou que a economia circular é fundamental, mas defendeu que a reciclagem deve ser feita de forma controlada para evitar novos problemas de saúde pública.

O relatório analisa ainda alternativas aos plásticos convencionais, como bioplásticos, fibras vegetais e materiais à base de proteínas. Apesar de serem promovidos como opções mais sustentáveis, os especialistas alertam que estes materiais também podem apresentar riscos, incluindo resíduos de pesticidas, toxinas naturais, metais pesados e alergénios alimentares, além da falta de dados suficientes sobre os seus efeitos a longo prazo.

A FAO sublinha igualmente a crescente preocupação mundial com os microplásticos e nanoplásticos encontrados em alimentos e bebidas. Estudos recentes já detetaram partículas microscópicas de plástico no sangue, pulmões, leite materno e placenta humana, embora ainda não existam métodos globais harmonizados para avaliar plenamente os riscos para a saúde. O relatório deverá contribuir para os debates da Comissão do Codex Alimentarius, criada pela FAO e pela Organização Mundial da Saúde, com vista à criação de padrões internacionais mais uniformes para embalagens alimentares recicladas.

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