O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos alertou para a continuação da violência e da destruição nos territórios palestinianos, apesar do cessar-fogo alcançado entre Israel e o Hamas em Outubro de 2025. Segundo a ONU, os assassinatos, deslocamentos forçados e a expansão de colonatos israelitas continuam a agravar a crise humanitária na região.
O relatório, apresentado em Genebra por Ajith Sunghay, analisa o período entre 7 de Outubro de 2023 e 31 de Maio de 2025. O documento aponta para violações graves do direito internacional, incluindo possíveis crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos tanto por grupos armados palestinianos como por forças israelitas.
Segundo o relatório, os ataques liderados pelo Hamas contra Israel provocaram a morte de mais de mil pessoas e incluíram tomada de reféns e lançamento indiscriminado de foguetes. Por outro lado, a ONU acusa Israel de ter desencadeado uma campanha militar devastadora em Gaza, onde dezenas de milhares de palestinianos morreram, incluindo civis em hospitais, escolas, abrigos e zonas de distribuição de ajuda humanitária.
O ACNUDH denuncia igualmente o agravamento da situação na Cisjordânia ocupada, onde o deslocamento forçado de palestinianos atingiu níveis considerados “sem precedentes em décadas”. O relatório refere ainda o aumento da violência de colonos israelitas e a expansão acelerada de assentamentos, acompanhados de demolições de habitações palestinianas e restrições ao regresso de milhares de deslocados.
A ONU alerta que o bloqueio imposto a Gaza agravou a fome e a escassez de bens essenciais, podendo configurar crime de guerra caso a fome seja utilizada como método de combate. O organismo internacional defende medidas urgentes para proteger civis, responsabilizar os autores de violações e garantir uma solução baseada no respeito pelos direitos humanos e pelo direito internacional.