O Diretor-Geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, QU Dongyu, apelou à utilização da Inteligência Artificial (IA) como instrumento ao serviço da dignidade humana, da inclusão e das prosperidades partilhadas, defendendo que os benefícios da inovação tecnológica devem chegar também às comunidades rurais. A posição foi apresentada durante o simpósio internacional “IA e o Futuro da Dignidade Humana: Uma Ponte entre as Transições Demográficas e de Emprego”, realizado em Roma.
Na sua intervenção, QU Dongyu alertou que o ritmo acelerado da transformação tecnológica exige uma adaptação social capaz de evitar novas formas de exclusão. Segundo afirmou, o potencial da Inteligência Artificial poderá ampliar as desigualdades existentes caso o acesso às tecnologias continue limitado em zonas rurais e em países com menores capacidades digitais. O responsável defende que agricultores, pescadores, pastores e comunidades dependentes dos recursos florestais sejam beneficiários diretamente das oportunidades abertas pela revolução tecnológica.
O encontro coincidiu com a publicação da encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, dedicada às implicações éticas e sociais da Inteligência Artificial. O Diretor-Geral da FAO localizou um paralelo entre os desafios atuais e os debates levantados há 135 anos pela encíclica Rerum Novarum, sublinhando que a atual revolução tecnológica está a transformar economias, sistemas agroalimentares, relações de trabalho e modelos de governação.
QU Dongyu registou ainda o compromisso reforçado pela FAO com a governação ética da IA através da adesão ao Apelo de Roma para a Ética da Inteligência Artificial, iniciativa lançada durante o pontificado do Papa Francisco. O responsável destacou que a organização está a desenvolver iniciativas ligadas à agricultura digital e à aplicação da IA em sectores como a produção agrícola, a gestão do solo, os serviços de apoio aos produtores e a melhoria da eficiência ao longo das cadeias alimentares.
No encerramento do discurso, o Diretor-Geral defendeu uma visão que designou de “Inteligências Aliadas”, baseada na articulação entre inteligência humana, artificial, ecológica e social. Sublinhou, contudo, que a tecnologia deve funcionar como instrumento de apoio e não como substituto das pessoas. “Precisamos da IA como facilitadora, mas não podemos alimentar-nos de IA”, afirmou, apelando a uma transição tecnológica capaz de gerar benefícios generosamente distribuídos e um futuro mais equilibrado para todos.