O 13.º Fórum Urbano Mundial terminou na passada sexta-feira, em Baku, Azerbaijão, com a adoção do “Apelo à Ação de Baku”, um novo roteiro internacional que procura responder à crescente crise mundial da habitação. O encontro, organizado pela ONU-Habitat, em parceria com o Governo do Azerbaijão, reuniu mais de 57 mil participantes de 176 países, tornando-se a maior edição de sempre do fórum.
O documento aprovado defende uma mudança profunda na forma como os países enfrentam a habitação, deixando de tratar a construção de casas como uma questão isolada e passando a integrar-se com planeamento urbano, acesso a infraestruturas, transportes, serviços públicos e oportunidades económicas. O apelo ainda para pressões crescentes como o aumento dos custos, a especulação imobiliária, os deslocamentos populacionais, os impactos climáticos e fragilidades na governança.
Na cerimónia de encerramento, a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, sublinhou que não será possível alcançar a Agenda 2030 sem urbanização sustentável e acesso a habitação adequada. A responsável destacou que a habitação está ligada aos desafios globais como a pobreza, as desigualdades, as alterações climáticas e a estabilidade social, defendendo cidades mais inclusivas, resilientes e capazes de garantir oportunidades para todos.
Entre as prioridades identificadas no “Apelo à Ação de Baku” está também o reforço da habitação resiliente ao clima, através de soluções baseadas na natureza, melhoria de assentamentos informais e maior preparação para desastres. Os participantes defenderam igualmente mais financiamento, melhores dados e um papel reforçado dos governos locais e das comunidades na implementação das políticas urbanas.
A diretora-executiva da ONU-Habitat, Ana Cláudia Rossbach, afirmou que o mundo vive um momento decisivo para o futuro da habitação e alertou que os mercados atuais não estão a responder às necessidades da população. O fórum terminou com um apelo à transformação dos compromissos políticos em ações concretas, numa corrida contra o tempo para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.