Campanhas de desinformação estão a dificultar os esforços de contenção do surto de ébola na República Democrática do Congo, onde já foram registados mais de 900 casos suspeitos da variante Bundibugyo e cerca de 220 mortes potencialmente associadas à doença. Segundo a Organização Mundial da Saúde, até ao momento foram confirmados em laboratório 101 casos e 10 óbitos relacionados com o vírus.
Perante a evolução do surto, a OMS elevou o nível de risco nacional de alto para muito alto. Contudo, as autoridades de saúde enfrentam dificuldades crescentes devido à desconfiança das comunidades locais em relação às equipas externas, situação agravada pela circulação de informações falsas nas redes sociais e pelo contexto de insegurança na região.
Nos últimos dias, dois centros de tratamento foram incendiados em áreas afetadas por confrontos armados que já provocaram o deslocamento de mais de 100 mil pessoas. A diretora de Resposta a Emergências da OMS para África, Marie Roseline Belizaire, afirmou que os ataques estão ligados à propagação de desinformação, que tem atrasado investigações epidemiológicas e limitado o acesso das equipas médicas às populações afetadas.
Outro foco de tensão prende-se com os protocolos de sepultamento aplicados às vítimas suspeitas de ébola. As autoridades restringiram velórios com grande número de participantes e reforçaram medidas sanitárias para reduzir o risco de transmissão. Em resposta à resistência de parte da população, a OMS está a trabalhar com líderes tradicionais e curandeiros locais para aumentar o envolvimento comunitário e adaptar as respostas de saúde pública às realidades locais.