Cientistas criam “mapa do tesouro” global para localizar depósitos ocultos de terras raras

Uma equipa internacional liderada por investigadores da Universidade de Cambridge desenvolveu um novo modelo que poderá ajudar a prever onde se encontram depósitos de elementos de terras raras — materiais considerados essenciais para tecnologias modernas como telemóveis, veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas de energia limpa. O estudo foi publicado na Nature Geoscience e propõe uma nova forma de identificar regiões com maior potencial geológico para estes recursos.

Os investigadores descobriram que determinadas rochas vulcânicas raras e ricas em dióxido de carbono tendem a formar-se junto das zonas mais antigas e espessas da litosfera terrestre — a camada rígida exterior do planeta. Ao cruzarem dados químicos de cerca de nove mil amostras de rochas com imagens sísmicas do interior profundo da Terra, os cientistas identificaram padrões que poderão servir como ferramenta de previsão para futuras explorações minerais.

Segundo a autora principal do estudo, Emilie Bowman, os resultados começam a oferecer capacidade preditiva sobre os locais onde estes depósitos podem surgir. A investigação procura responder a uma questão que intriga os geólogos há décadas: porque é que certos depósitos de terras raras aparecem apenas em regiões muito específicas do planeta.

A equipa concluiu que a espessura da litosfera influencia diretamente os processos que permitem concentrar estes elementos ao longo de milhões de anos. Em profundidade, pequenas quantidades de magma ficam retidas e arrefecem lentamente, formando rochas que podem ser posteriormente enriquecidas em terras raras por novos eventos geológicos. O estudo sugere que este mecanismo ocorre sobretudo nas margens abruptas das regiões continentais mais antigas.

Para os investigadores, o trabalho poderá ganhar importância num contexto de crescente procura mundial por matérias-primas estratégicas e de esforços de vários países para diversificar o fornecimento destes recursos, atualmente fortemente concentrado em determinados mercados. A próxima etapa da investigação será alargar a análise a formações geológicas com mais de 200 milhões de anos, onde se encontram algumas das maiores reservas conhecidas de terras raras no mundo.

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