A Organização das Nações Unidas (ONU) registou quase 10 mil casos de violência sexual relacionados com conflitos armados em 2025, mais do que os números selecionados no ano anterior. Os dados constam do mais recente relatório do representante especial da ONU para a Violência Sexual em Conflitos, Pramila Patten, que alerta para a utilização continuada da violação, escravidão sexual, casamentos provocados e sequestros como instrumentos de guerra e repressão política.
O relatório documenta abusos cometidos por 15 atores estatais e 62 não estatais em 21 países afetados por conflitos. Mulheres e raparigas continuam a ser as principais vítimas, embora homens, rapazes e pessoas LGBTQI+ também tenham sido alvo de violência sexual, frequentemente em centros de detenção ou como forma de tortura. As vítimas identificadas tinham idades conhecidas entre um e 70 anos.
Pela primeira vez, as forças armadas e de segurança de Israel e da Rússia foram incluídas na lista da ONU de responsáveis por padrões de violência sexual em contexto de conflito. No caso de Israel, foram documentados abusos contra detidos palestinos em Gaza e na Cisjordânia, incluindo denúncias de violação, nudez forçada e violência sexual durante interrogatórios e operações militares. Relativamente à Rússia, o relatório refere-se a abusos sexuais contra prisioneiros de guerra ucranianos e civis detidos.
O documento destaca ainda a inclusão de novos grupos armados da República Democrática do Congo, onde a violência sexual continua a ser utilizada para controlar comunidades e territórios, sobretudo em zonas ricas em recursos naturais. A ONU alerta que mulheres e raparigas deslocadas ou refugiadas enfrentam riscos particularmente elevados, agravados pelo controlo de armas ligeiras e pela fragilidade dos mecanismos de protecção.
A ONU sublinha que os números apresentados representam apenas uma fração da realidade, devido à insegurança, ao acesso limitado às zonas de conflito e ao número reduzido de denúncias. A organização destinada ao reforço da proteção das populações, ao combate à impunidade e ao aumento do apoio humanitário e psicológico às sobreviventes destas situações.