Um estudo do LABPATS, baseado em mais de 5.500 profissionais, traça um retrato preocupante do trabalho em Portugal: elevados níveis de burnout, exaustão emocional, solidão, perceção de injustiça e assédio laboral.
Os dados mostram que 44,5% dos trabalhadores se sentem fisicamente exaustos, 38,3% afirmam já ter sido vítimas de assédio laboral e mais de 85% relatam pelo menos um sintoma de burnout. Cerca de 41% apresentam quatro sintomas simultâneos, incluindo exaustão física e emocional, irritabilidade e tristeza.
A coordenadora do estudo, a psicóloga Tânia Gaspar, alerta que o mal-estar laboral já não pode ser visto como um problema individual, mas sim organizacional e social. Segundo a especialista, o burnout continua muitas vezes a ser confundido com simples cansaço, atrasando a identificação do problema.
O estudo conclui ainda que apenas cerca de um terço dos trabalhadores considera que o bem-estar é uma prioridade para as chefias. Mulheres, jovens trabalhadores e pessoas com doenças crónicas apresentam indicadores de risco mais elevados.
Apesar de algumas melhorias legislativas, os investigadores defendem que continua a existir uma grande distância entre a proteção prevista na lei e a realidade vivida nos locais de trabalho.