FAO alerta para agravamento das doenças animais transfronteiriças e apela ao reforço da prevenção global

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou para a crescente propagação de doenças animais transfronteiriças em várias regiões do mundo, defendendo um reforço urgente das medidas de prevenção, vigilância e cooperação internacional. Entre as principais ameaças destacam-se a gripe aviária, a peste suína africana, a febre aftosa, a mosca-da-bicheira-do-Novo-Mundo e outras doenças zoonóticas emergentes, como o vírus Nipah, o Ébola e o hantavírus andino.

Segundo a FAO, a intensificação dos movimentos de animais, pessoas e mercadorias, associada às alterações nos sistemas de produção agrícola e às alterações ambientais, está a facilitar a disseminação de doenças além-fronteiras. O setor pecuário, que sustenta mais de mil milhões de meios de subsistência em todo o mundo e gera bilhões de dólares em valor econômico anualmente, encontra-se particularmente vulnerável a estes surtos.

Os impactos económicos já são significativos. A gripe aviária levou à perda de mais de 633 milhões de aves em todo o mundo e ameaça um mercado avaliado em cerca de 48 mil milhões de dólares. A febre aftosa provoca prejuízos anuais estimados em 11,3 mil milhões de dólares, enquanto a peste suína africana prejudica em mais de 40% os efetivos de suínos em algumas regiões da Ásia. Para a FAO, estes números demonstram a necessidade de sistemas mais robustos de detecção precoce e resposta rápida.

A organização destaca ainda acontecimentos recentes que ilustram a gravidade da situação, como o reaparecimento da mosca-da-bicheira-do-Novo-Mundo nos Estados Unidos, após décadas de controlo bem sucedido, e a propagação internacional do sorotipo SAT1 da febre aftosa para além das suas áreas tradicionais em África. Estes casos evidenciam a rapidez com que as ameaças sanitárias podem comprometer a produção alimentar, o comércio internacional e os meios de subsistência da população rural.

Perante este cenário, a FAO defende investimentos sustentados na saúde animal e está a desenvolver, em parceria com os seus Estados-membros e organizações internacionais, o Programa Global de Parceria para Doenças Animais Transfronteiriças. A iniciativa pretende reforçar a prevenção, o alerta precoce, a preparação e a capacidade de resposta dos países, permitindo conter surtos numa fase inicial e reduzir os elevados custos económicos e sociais associados às emergências sanitárias de grande escala.

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