O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou a uma ação global mais ambiciosa para enfrentar as alterações climáticas e acelerar a transição para energias limpas. O alerta foi lançado durante a Semana de Ação Climática de Londres, numa altura em que uma intensa onda de calor afeta várias regiões da Europa e crescem as preocupações com a segurança energética mundial.
No seu discurso, António Guterres sublinhou que a atual dependência dos combustíveis fósseis está na origem simultaneamente da crise climática e das vulnerabilidades energéticas globais. O responsável destacou ainda que os recentes conflitos no Médio Oriente e as perturbações no transporte marítimo através do Estreito de Ormuz evidenciam a necessidade de reduzir a dependência do petróleo e acelerar a aposta em fontes renováveis de energia.
O líder das Nações Unidas apresentou um plano assente em sete prioridades, entre as quais a redução rápida das emissões de gases com efeito de estufa, a eliminação gradual dos subsídios aos combustíveis fósseis e o reforço dos investimentos em energias renováveis. Guterres defendeu também uma tributação dos lucros extraordinários das grandes empresas petrolíferas para apoiar comunidades vulneráveis e financiar a transição energética nos países em desenvolvimento.
Um dos aspetos inovadores da proposta prende-se com o impacto ambiental da inteligência artificial. O Secretário-Geral pediu que as principais empresas tecnológicas divulguem publicamente a pegada ambiental dos seus centros de dados, incluindo o consumo de energia, água e solo, e que garantam o funcionamento dessas infraestruturas com energia renovável até 2030. Segundo dados apresentados, os centros de dados ligados à inteligência artificial poderão consumir, até ao final da década, volumes de água equivalentes às necessidades básicas anuais de toda a população da África Subsaariana.
António Guterres apelou ainda ao aumento do financiamento climático para os países em desenvolvimento, ao reforço dos sistemas de adaptação e alerta precoce e ao combate à desinformação sobre o clima. O responsável alertou que cada fração de grau de aquecimento global conta para evitar impactos irreversíveis, como a destruição de recifes de coral, o aumento do nível do mar e a deslocação de milhões de pessoas. Para o Secretário-Geral da ONU, a transição para energias limpas representa não apenas uma necessidade ambiental, mas também uma oportunidade económica e social para construir um futuro mais seguro, sustentável e resiliente.