UNICEF alerta para aumento de registos de denúncias de graves ataques contra crianças em conflitos armados

A diretora executiva do UNICEF, Catherine Russell, alertou o Conselho de Segurança das Nações Unidas para o agravamento sem precedentes do impacto dos conflitos armados sobre as crianças em todo o mundo. Durante um debate realizado em Nova Iorque, a responsável revelou que o mais recente relatório do secretário-geral da ONU documentou 38.558 graves verificadas contra crianças em 2025, incluindo mortes, mutilações, recrutamento por grupos armados, raptos, violência sexual e negação de assistência humanitária.

Segundo Catherine Russell, quase 70% das vítimas infantis registadas no último ano foram atingidas por armas explosivas utilizadas em áreas povoadas. Os números mais elevados foram verificados na Ucrânia, Afeganistão, Mianmar, Israel, Estado da Palestina e Líbano. A dirigente sublinhou que estas armas não só provocam mortes e ferimentos, como também destroem escolas, hospitais, sistemas de abastecimento de água e outras infraestruturas essenciais para a sobrevivência e recuperação das crianças.

Manifestou-se igualmente preocupada com o aumento do número de crianças afetadas por várias espécies graves e com a crescente restrição do acesso humanitário. Em 2025, as Nações Unidas verificaram mais de 8.000 incidentes relacionados com obstáculos às operações humanitárias, ataques contra trabalhadores de ajuda e interferência na distribuição de assistência. Os casos mais numerosos foram registados em Israel e no Estado da Palestina, na Líbia e na Ucrânia.

Apesar do cenário preocupante, Catherine Russell destacou alguns sinais de progresso, revelando que mais de 13 mil crianças foram libertadas de forças e grupos armados durante o último ano e beneficiaram de programas de reintegração. A responsável apelou aos Estados-membros para que reforcem a protecção das crianças em conflitos, garantam o respeito pelo direito internacional humanitário e aumentem o apoio político e financeiro às iniciativas de protecção infantil, alertando que os cortes no financiamento estão a comprometer a resposta às necessidades crescentes das crianças afectadas pela guerra.

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