O Programa das Nações Unidas para a População (UNFPA) distinguiu o cirurgião senegalês Serigne Magueye Gueye e a Fundação Bonne Action Umugiraneza, do Burundi, com o Prémio da ONU para a População 2026, em reconhecimento pelos seus contributos para a promoção da saúde sexual e reprodutiva e da dignidade de mulheres e comunidades vulneráveis. A distinção foi anunciada durante uma cerimónia realizada na sede das Nações Unidas.
Ao longo de várias décadas, o professor Serigne Magueye Gueye dedicou-se ao tratamento da fístula obstétrica, uma lesão grave resultante de complicações no parto que pode provocar incontinência e exclusão social das mulheres afetadas. Para além de realizar cirurgias, o especialista formou profissionais de saúde de mais de 45 países da África Subsaariana e defende o reforço dos sistemas de saúde e do acesso a cuidados obstétricos de emergência para eliminar esta condição até 2030.
Na categoria institucional, a Fundação Bonne Action Umugiraneza foi distinguida pelo trabalho desenvolvido no Burundi em prol do acesso aos cuidados de saúde, educação e apoio social para mulheres, crianças e famílias vulneráveis. A organização criou uma policlínica na província de Gitega, disponibilizando serviços especializados, incluindo pediatria, cuidados de emergência, tratamento da infertilidade, assistência a mulheres com fístula obstétrica e apoio a sobreviventes de violência baseada no género.
Numa mensagem dirigida à cerimónia, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, sublinhou que as mudanças demográficas exigem respostas assentes na proteção dos direitos, da dignidade e do bem-estar das pessoas. Criado pela Assembleia Geral da ONU em 1981, o Prémio da ONU para a População distingue, anualmente, indivíduos e instituições cujos contributos têm um impacto significativo na saúde reprodutiva e no desenvolvimento sustentável.