A Austrália Ocidental corre o risco de perder uma nova vaga de investimentos estratégicos se mantiver a dependência do modelo tradicional baseado na extração e exportação de matérias-primas, conclui um relatório do Centro de Economia Bankwest Curtin (BCEC).
O estudo destaca que o setor dos recursos naturais continua a ser o principal motor da economia estadual, gerando cerca de 200 mil milhões de dólares australianos por ano e sustentando milhares de empregos, exportações e receitas públicas. No entanto, alerta que a transição energética, a descarbonização e a crescente procura por minerais críticos exigem uma mudança de estratégia.
Segundo os investigadores, o crescimento futuro dependerá cada vez mais da capacidade de acrescentar valor aos recursos através do processamento industrial, da inovação tecnológica e do desenvolvimento de novas cadeias produtivas.
Embora o minério de ferro continue a representar a maior parte da produção económica e das receitas de royalties, o relatório prevê que a sua importância diminua nas próximas décadas. Em contrapartida, os setores ligados aos minerais críticos, essenciais para baterias, veículos elétricos e energias renováveis, poderão gerar mais de 100 mil milhões de dólares australianos por ano até 2050, face aos cerca de 20 mil milhões atuais.
O estudo antecipa ainda uma redução significativa das exportações de combustíveis fósseis, acompanhando a aceleração da transição energética mundial.
Os autores defendem investimentos em infraestruturas, inovação, qualificação profissional e industrialização local para reforçar a competitividade da região. Também recomendam uma estratégia conjunta entre governo e setor privado para transformar a riqueza gerada pela mineração em desenvolvimento económico sustentável, emprego qualificado e novas oportunidades industriais para as próximas décadas.