Na abertura da XXI Conferência Anual do Sector Privado (CASP 2026), em Maputo, o Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, desafiou o empresariado a assumir o protagonismo na transformação económica do país. O Chefe de Estado defendeu que o futuro de Moçambique passa obrigatoriamente pela aposta na produção interna, na industrialização e no aumento da competitividade, visando a criação de riqueza, emprego e prosperidade sustentáveis.
Durante a sua intervenção perante investidores, parceiros de desenvolvimento e sociedade civil, o estadista destacou o diálogo entre o Estado e o setor privado como um ativo institucional essencial. Daniel Chapo reconheceu o cenário complexo que o Executivo enfrenta — marcado por escassez de divisas, dificuldades de financiamento e impactos climáticos —, apontando o combate à criminalidade, especialmente aos raptos, e o Diálogo Nacional Inclusivo como prioridades absolutas para garantir a estabilidade e a segurança dos negócios.
O Presidente moçambicano detalhou as reformas em curso, que incluem a digitalização dos serviços públicos e a simplificação de procedimentos burocráticos para atrair investimento. Chapo alertou ainda para a necessidade de uma separação clara entre as funções reguladoras do Estado e a atividade empresarial, utilizando a metáfora de que “não podemos ter árbitros que são jogadores”, de forma a assegurar a transparência do mercado.
A estratégia governamental apresentada foca-se na diversificação económica, de modo a reduzir a dependência da exploração de recursos naturais, priorizando investimentos na agricultura, turismo, logística e economia azul. Embora o país conte atualmente com cerca de 50 mil milhões de dólares em investimentos na Bacia do Rovuma, o governante advertiu que o setor extrativo não transformará o país sozinho, devendo as suas receitas servir para financiar e alavancar os restantes setores produtivos.