Programa da FAO na Faixa de Gaza vai apoiar agricultores e ajudar a alimentar 100 mil pessoas

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) ampliou o seu programa de assistência financeira condicionada para apoiar 1.500 pequenos agricultores na Faixa de Gaza, com o objetivo de reforçar a produção local de alimentos e contribuir para a alimentação de cerca de 100 mil pessoas no próximo ano. A iniciativa permite que cada agricultor cultive pelo menos um dunum de terra (0,1 hectare) com produção de vegetais frescos.

O programa, financiado pela Bélgica, União Europeia, Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros de França e outros parceiros da FAO, disponibiliza apoio financeiro aos agricultores condicionado à utilização dos recursos no cultivo das suas terras. A organização estima que a produção resultante será suficiente para responder às necessidades anuais recomendadas de consumo de vegetais, segundo as orientações da FAO e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A iniciativa surge na sequência de um projeto-piloto lançado em 2025, que apoiou 200 famílias agrícolas na produção de hortícolas. Segundo a FAO, os agricultores beneficiários cultivaram pelo menos 720 dunums e produziram cerca de 1.094 toneladas de vegetais frescos, incluindo beringelas, pimentos, tomates, curgetes e inhame, quantidade suficiente para suprir as necessidades alimentares anuais de mais de 13 mil pessoas.

O chefe do Escritório da FAO na Cisjordânia e Faixa de Gaza, Ciro Fiorillo, afirmou que os agricultores continuam determinados a recuperar a produção alimentar local apesar das limitações impostas pelo conflito e pela escassez de recursos. Segundo o responsável, a ajuda financeira permite adquirir sementes, equipamentos e outros materiais agrícolas essenciais enquanto se aguardam condições mais favoráveis para a retoma das importações comerciais.

A FAO alerta, contudo, que a recuperação do setor agroalimentar em Gaza continua condicionada pela falta de acesso a terras cultiváveis, equipamentos e produtos necessários à agricultura. A organização defende uma maior entrada de insumos agrícolas, incluindo sementes, fertilizantes, sistemas de irrigação, rações, equipamentos de pesca e outros materiais indispensáveis para que agricultores, pastores e pescadores possam retomar plenamente as suas atividades.

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