Zimbabué: Colapso de mina reforça necessidade de monitorização preventiva das áreas mineiras

O desabamento de uma mina em Chinhoyi, na semana passada, que matou quatro mineiros e deixou outros quatro sobreviventes após ficarem presos a cerca de 100 metros de profundidade, voltou a expor as fragilidades da fiscalização da actividade mineira no Zimbábue.

Wonder Mufunda, Director executivo do Centro de Análises Humanitárias (CHA), lamentou que o país continua a reagir apenas depois das tragédias, quando muitos acidentes poderiam ser evitados com recurso a dados.

Wonder Mufunda, falava durante a Reunião Trimestral de Dados para o Desenvolvimento e Inovação (DfDI), realizada a 21 de julho, em Harare, onde igualmente apresentou uma nova plataforma de monitorização da mineração, a terceira inovação da organização para gestão de desastres, depois do ZIMDRiMS e do módulo de incêndios FiRMS.

O representante do CHA defendeu que a ferramenta apresentada pretende responder a um dos riscos prioritários identificados pelo Governo.

Mufunda sustentou que, embora o Ministério de Minas e Desenvolvimento Mineiro tenha competência legal para licenciar, inspecionar e investigar acidentes, enfrenta limitações operacionais devido à falta de meios, tornando a fiscalização essencialmente reactiva.

O especialista alertou que a aprovação da proposta de monitoria é necessária porque o maior desafio está na mineração artesanal e de pequena escala, onde o incumprimento das normas de segurança é frequente devido à reduzida presença dos fiscais.

Apesar de o país estar a digitalizar os direitos de exploração através de um Cadastro Mineiro, Mufunda explicou que o sistema apenas identifica quem pode explorar determinada área, sem mostrar o que acontece no terreno, não é suficiente.

Segundo os dados apresentados, cerca de 60 mil das 70 mil covas de mineração existentes já foram registadas. No entanto, mais de 90% da actividade mineira continua sem monitorização digital em tempo real.

Para o director do CHA, a nova plataforma pretende colmatar essa lacuna, permitindo identificar riscos antecipadamente e reforçar uma fiscalização preventiva, em vez de apenas responder a acidentes.

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