ONU alerta para crise no Estreito de Ormuz com milhares de marinheiros retidos

As Nações Unidas alertaram para o agravamento da crise marítima no Estreito de Ormuz, onde cerca de 6.000 marinheiros permanecem retidos em aproximadamente 500 navios devido à paralisação da navegação provocada pela continuação do conflito entre os Estados Unidos e o Irão. A Organização Marítima Internacional (OMI) revelou que praticamente não há embarcações a atravessar esta via estratégica, responsável, em tempos de paz, pelo transporte de cerca de 20% do petróleo e gás comercializados a nível mundial.

Num discurso perante o Conselho de Segurança da ONU, o Secretário-Geral, António Guterres, manifestou profunda preocupação com a escalada das hostilidades entre Washington e Teerão, alertando que a situação “está à beira do inimaginável” e pode ter consequências devastadoras para a região e para a economia global. O responsável apelou às partes para que recuem na escalada militar, respeitem o direito internacional humanitário e protejam a população civil e as infraestruturas essenciais.

O secretário-geral da OMI, Arsenio Dominguez, afirmou que a prioridade da agência é garantir a segurança e eventual evacuação dos marítimos retidos, sublinhando que estes trabalhadores não estão preparados para enfrentar ataques com mísseis ou drones. O responsável advertiu ainda que a interrupção prolongada da navegação ameaça as cadeias de abastecimento mundiais, recordando que cerca de 90% do comércio global depende do transporte marítimo.

A crise é agravada pelos ataques dos rebeldes houthis no Estreito de Bab al-Mandab, no Mar Vermelho, criando uma segunda frente de instabilidade para o comércio internacional. A ONU considera que a conjugação dos conflitos em Ormuz e no Mar Vermelho está a aumentar os custos das operações humanitárias e a dificultar o fornecimento de bens essenciais a vários países.

Apesar de continuarem as negociações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irão, a OMI considera que ainda não existem condições para retomar a circulação normal de navios. A organização reiterou igualmente que, ao abrigo do direito internacional, não existe qualquer base legal para a cobrança de portagens pela passagem no Estreito de Ormuz, defendendo que o restabelecimento da segurança da navegação deverá assentar na desminagem da área, em garantias de livre circulação e numa redução sustentada das tensões militares.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subescreve a Newsletter

Artigos Relacionados

BCE convida cidadãos a escolher o futuro desenho das notas de euro

O Banco Central Europeu (BCE) lançou uma consulta...

0

União Europeia e Filipinas reforçam cooperação em segurança e defesa no Indo-Pacífico

A União Europeia e as Filipinas decidiram aprofundar...

0

Gaza: Segurança alimentar melhora, mas ONU alerta para fragilidade dos progressos

A segurança alimentar e a situação nutricional das...

0