Moçambique: “Para mim, esta é uma exclusão económica total da nossa província”, afirma presidente da CTA em Cabo Delgado

O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), entidade que representa os comerciantes formais e informais na província de Cabo Delgado, Mamudo Irache, juntou-se às organizações da sociedade civil e, à semelhança destas, repudiou a decisão da TotalEnergies de alocar fundos para a formação de jovens no Instituto Industrial e Comercial da Matola, na província de Maputo, em vez de investir em Palma, por exemplo, onde a multinacional explora o gás natural.

Mamudo Irache considerou que esta decisão representa uma exclusão de oportunidades para os jovens de Cabo Delgado e afirmou que constitui um duro golpe para o empresariado local, defendendo que a medida contraria os princípios do conteúdo local.

“Foi com grande surpresa que recebemos a notícia de que a formação será levada para Maputo. O que é que a província de Cabo Delgado ganha com isto? Só a construção e o apetrechamento da infraestrutura representariam uma oportunidade para o sector privado fornecer bens e serviços, beneficiando os empresários locais, sobretudo dos distritos de Palma e Mocímboa da Praia. Para mim, esta é uma exclusão económica total da nossa província.”

O presidente da CTA entende igualmente que a realização da formação em Maputo desvaloriza a capacidade dos recursos humanos do sector da educação em Cabo Delgado.

“Os professores que irão ministrar as aulas poderiam ser da província de Cabo Delgado. Temos aqui o Instituto Industrial de Pemba, que poderia receber este investimento e contribuir para a capacitação da população da província.”

Falando durante uma conferência de imprensa realizada no sábado (1), Mamudo Irache alertou que as reivindicações por mais investimentos em Cabo Delgado por parte das empresas que exploram o gás não devem ser interpretadas como tribalismo ou regionalismo.

“Não estamos a defender o regionalismo. Estamos apenas a retratar uma realidade que vivemos. Fomos excluídos no ensino técnico e essa narrativa continua.”

A fonte apelou ao Governo para que, no âmbito do diálogo com as empresas envolvidas nos projectos de exploração de gás natural na Bacia do Rovuma, sejam criadas condições para que os benefícios destes investimentos cheguem em primeiro lugar à população do distrito de Palma e de Cabo Delgado em geral.

Refira-se que a onda de descontentamento das organizações da sociedade civil e da Confederação das Associações Económicas intensificou-se na semana passada, após o anúncio da disponibilização de 191,5 milhões de meticais para a formação de jovens em competências profissionais destinadas ao sector da exploração energética. Contudo, os fundos serão aplicados na província de Maputo, facto que tem gerado fortes críticas por parte de diversos sectores da sociedade em Cabo Delgado.

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