Investigadores das Nações Unidas acusam os militares de Myanmar de manterem uma campanha de ataques deliberados contra civis, incluindo bombardeamentos aéreos contra casas, escolas, instalações de saúde e campos de deslocados. As conclusões constam do relatório anual do Mecanismo Independente de Investigação para Myanmar (IIMM), divulgado esta terça-feira.
Segundo os investigadores, os ataques intensificaram-se no período que antecedeu as eleições, concluídas em janeiro, e continuaram posteriormente. O chefe do IIMM, Nicholas Koumjian, afirmou que estão a ser analisadas as estruturas de comando e as ordens que conduzem aos ataques aéreos, com particular atenção aos bombardeamentos contra escolas e hospitais, onde crianças estão entre as vítimas.
O relatório documenta também casos generalizados de detenções arbitrárias, tortura e violência sexual em centros de detenção administrados pelos militares. O uso crescente de drones e planadores motorizados terá tornado os ataques mais difíceis de prever, reduzindo o tempo disponível para os civis procurarem abrigo.
As investigações baseiam-se em informações recolhidas junto de mais de 1.600 fontes, incluindo mais de 750 testemunhos, fotografias, vídeos, provas forenses e imagens de satélite. O mecanismo sublinha, contudo, que também está a investigar alegados abusos cometidos por grupos armados que se opõem à junta militar.
Myanmar vive em conflito desde o golpe militar de fevereiro de 2021, que derrubou o Governo civil e desencadeou uma ampla resistência armada. O país conta atualmente com cerca de 3,6 milhões de deslocados internos, número que, segundo as estimativas apresentadas no relatório, poderá aproximar-se dos quatro milhões em 2026.