A crise da habitação na Europa está cada vez mais ligada à pobreza energética, num contexto de subida dos preços das casas, rendas e energia. Investigadores apoiados pela União Europeia defendem que os dois problemas devem ser enfrentados em conjunto, sobretudo porque uma parte significativa do parque habitacional europeu é antiga e pouco eficiente do ponto de vista energético.
Quase 10% dos cidadãos da União Europeia enfrentam uma situação de sobrecarga dos custos de habitação, destinando mais de 40% do rendimento disponível à renda ou prestação da casa e às despesas associadas. Ao mesmo tempo, uma percentagem semelhante da população europeia não consegue manter a habitação suficientemente aquecida. O aumento das temperaturas no verão está também a tornar o acesso ao arrefecimento uma preocupação crescente.
O projeto europeu PREFIGURE, coordenado pelo investigador Michael Janoschka, analisa iniciativas em oito países e estudou 16 projetos locais destinados a disponibilizar habitação e energia a preços acessíveis a grupos vulneráveis, incluindo famílias de baixos rendimentos, idosos, refugiados e pessoas sem-abrigo. Em Karlsruhe, na Alemanha, um programa de habitação cooperativa combina apoio à renovação de edifícios, eficiência energética e disponibilização de apartamentos a pessoas em situação de sem-abrigo.
Outras iniciativas procuram aplicar soluções semelhantes. Em Tessalónica, na Grécia, uma agência de arrendamento social está a recuperar habitações que permaneceram vazias durante anos para as disponibilizar a comunidades vulneráveis, enquanto em Barcelona o projeto WikiHousing envolve jovens na conceção e construção de habitação social energeticamente eficiente.
Investigadores do projeto HouseInc, também financiado pela UE, alertam, por sua vez, para a discriminação e as dificuldades enfrentadas por comunidades vulneráveis, incluindo migrantes, comunidades ciganas e refugiados ucranianos. A conclusão comum dos estudos é que a transição para habitações mais eficientes energeticamente não será suficiente se não for acompanhada por políticas sociais e habitacionais que tenham em conta os edifícios, os bairros e as necessidades das comunidades, evitando que a transição ecológica agrave as desigualdades existentes.