A economia da África Ocidental deverá crescer 4,6% em 2026, depois de ter registado uma expansão de 4,8% em 2025, segundo as Perspetivas Económicas Regionais da África Ocidental 2026 do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). O desempenho previsto deverá ser sustentado pelo aumento do investimento privado, pela recuperação da procura interna e pela expansão dos setores do petróleo, gás e mineração.
Apesar das perspetivas positivas, o BAD alerta para riscos que podem travar o crescimento regional, incluindo as tensões geopolíticas, a inflação, o aumento das vulnerabilidades da dívida pública e condições de financiamento internacionais mais restritivas. A região enfrenta ainda problemas de insegurança e os efeitos da crescente fragmentação da economia mundial.
A Costa do Marfim, maior economia da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA), deverá crescer 6,2% em 2026. O BAD considera que o país mantém uma dinâmica económica forte, mas defende a aceleração das reformas para concretizar a ambição de alcançar o estatuto de país de rendimento médio-alto até 2030, nomeadamente através da industrialização, do desenvolvimento do setor privado e do reforço da capacidade financeira do Estado.
Um dos principais alertas do relatório diz respeito ao financiamento do desenvolvimento. A África Ocidental enfrenta um défice anual estimado entre 90 e 100 mil milhões de dólares, mas o BAD considera que o problema não resulta apenas da falta de capital. A instituição defende uma melhor mobilização dos recursos existentes, através do alargamento da base tributária, da formalização da economia informal, da melhoria da gestão das receitas provenientes dos recursos naturais e do direcionamento das poupanças para investimentos produtivos.
O relatório revela que a receita fiscal média da África Ocidental correspondeu a apenas 9,9% do PIB nos últimos cinco anos, muito abaixo da referência de 20% estabelecida pela UEMOA. O BAD defende ainda uma maior integração dos mercados financeiros regionais, incluindo através da Bolsa Regional de Valores Mobiliários (BRVM), e sistemas de pagamentos mais eficientes. Para a instituição, estas medidas podem ajudar a transformar a poupança disponível na região em investimento de longo prazo e criar condições para um crescimento mais inclusivo e sustentável.