O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) está a alargar a oito países africanos um programa destinado a promover a economia circular e a transformar os recursos naturais em oportunidades de investimento, inovação e emprego. A iniciativa é apoiada pelo Fundo Africano para a Economia Circular, um fundo fiduciário com vários doadores administrado pelo Grupo Banco Africano de Desenvolvimento.
Na segunda fase do programa “Roteiros Nacionais para a Economia Circular”, Angola, Libéria, Madagáscar e Senegal vão desenvolver planos de acção nacionais, identificando sectores prioritários e adaptando as estratégias às características das suas economias. Benim, Chade, Etiópia e Maurícias entram, por sua vez, na fase de implementação dos respectivos planos, procurando transformar as orientações políticas em programas concretos e financiados.
Segundo Anthony Nyong, director do Departamento de Alterações Climáticas e Crescimento Verde do BAD, África enfrenta um défice anual de financiamento ao desenvolvimento superior a 400 mil milhões de dólares. Para o responsável, os roteiros de economia circular podem ajudar os países africanos a reforçar a produção interna, conservar maior valor económico dentro das suas fronteiras e transformar prioridades nacionais em oportunidades de investimento.
O programa pretende responder a um dos principais desafios económicos do continente: a exportação de uma parte significativa dos recursos naturais africanos sem transformação local. Os planos já desenvolvidos identificaram sectores com potencial para a economia circular, incluindo a agricultura, construção, silvicultura, plásticos, têxteis, indústria transformadora, energia e gestão da água.
Entre os exemplos apresentados pelo BAD está o Chade, cujo roteiro prevê a criação de mais de 25 mil empregos verdes e uma redução de 40% dos resíduos não reciclados até 2035. No Benim, o plano lançado em Fevereiro de 2026 estabelece, para a próxima década, uma taxa de reciclagem de 25%, a recolha de todos os resíduos urbanos e a criação de 300 empresas de economia circular. A iniciativa pretende, assim, transformar a circularidade numa ferramenta de industrialização, criação de emprego e desenvolvimento económico sustentável em África.