O Primeiro-Ministro de Cabo Verde, Francisco Carvalho, retomou o processo de auscultação dos presidentes das câmaras municipais, defendendo uma maior articulação entre o Governo e as autarquias para responder aos problemas mais urgentes das populações. Durante encontros com os autarcas de Santa Catarina de Santiago e do Tarrafal de São Nicolau, o chefe do Executivo afirmou que as disputas políticas devem terminar com as eleições e que, a partir daí, todos devem trabalhar em parceria pelo desenvolvimento do país.
Em Santa Catarina de Santiago, o presidente da Câmara Municipal, Armindo Freitas, apresentou ao Governo vários projectos considerados prioritários, incluindo a construção e reabilitação de estradas, intervenções de requalificação urbana e ambiental, melhoria de habitações e a construção de um matadouro municipal. O autarca apontou também obras que foram iniciadas com recursos da própria Câmara, mas posteriormente suspensas devido à falta de desembolsos previstos em contratos celebrados com o anterior Governo.
Entre os projectos apresentados está a construção da estrada Bela Vista/Gamboa, em Chã de Tanque, bem como a pavimentação de vias nas localidades de Mato Gegê, Pombal e Somadinha. O Governo assegurou o financiamento, ainda este ano, de projectos de requalificação urbana e de melhoria das habitações através da autarquia. Francisco Carvalho considerou ainda “inadmissível” que, após cinco décadas de independência, existam municípios cabo-verdianos sem matadouro, defendendo que todos devem dispor desta infraestrutura, considerada importante para a protecção da saúde pública.
No Tarrafal de São Nicolau, o presidente da Câmara, Neivo Araújo, eleito pelo MpD, apresentou igualmente um conjunto de dificuldades relacionadas com os serviços públicos, as estradas, os transportes e as infraestruturas. O autarca recebeu do Governo garantias de abertura, no próximo ano, de uma delegação do Ministério do Desenvolvimento Rural e Pescas, assim como avanços na disponibilização de serviços de Conservatória, Registo e Notariado. Foram ainda assegurados apoios para a reabilitação de habitações, melhoria das estradas e construção de um centro pós-colheita, além da disponibilização de equipamentos para responder a situações de emergência provocadas pelas chuvas.
Francisco Carvalho defendeu, neste contexto, a necessidade de “acabar com a ideia de ilhas periféricas”, através de uma maior presença do Estado e da melhoria dos serviços públicos, criando também melhores condições para a fixação dos jovens. O Primeiro-Ministro garantiu que o Governo pretende trabalhar em parceria com os municípios para resolver problemas que se prolongam há vários anos, sublinhando que “há problemas que não podem continuar a persistir, com governos a entrarem e a saírem, deixando os mesmos problemas por resolver”.