Brasil vai às urnas com Lula e Flávio Bolsonaro à frente nas últimas sondagens e sem debate final na Globo

O Brasil entra nas últimas horas da campanha para as eleições gerais de 2026 com a disputa pela Presidência da República concentrada em Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), e Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), num cenário marcado pelo cancelamento do último debate televisivo previsto antes da votação. A primeira volta realiza-se neste domingo, 4 de outubro, e 158.765.543 eleitores estão aptos a votar, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Caso nenhum candidato obtenha mais de metade dos votos válidos, a segunda volta será realizada a 25 de outubro.

A reta final ganhou um novo elemento político na noite de quinta-feira, 1 de outubro, quando a TV Globo cancelou o debate presidencial que estava previsto para às 21h30. A decisão foi anunciada poucas horas antes do programa, depois de duas determinações judiciais alterarem regras previamente estabelecidas pela emissora e de os dois candidatos que lideram as sondagens decidirem não participar. Lula já tinha comunicado que não compareceria, enquanto Flávio Bolsonaro desistiu no próprio dia.

Uma das decisões partiu da ministra Estela Aranha, do TSE, que determinou que a Globo não poderia manter em destaque o púlpito vazio destinado a Lula nem permitir perguntas dirigidas ao candidato ausente. A segunda decisão foi tomada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a participação de Renan Santos, candidato do Missão, no debate. A Globo informou que as duas notificações interferiam nas regras previamente acordadas e decidiu cancelar o encontro.

Ronaldo Caiado, do Partido Social Democrático (PSD), Augusto Cury, do Avante, e Romeu Zema, do Novo, já se encontravam na emissora quando o cancelamento foi comunicado. Flávio Bolsonaro justificou a sua desistência criticando a decisão do TSE, enquanto Lula participou, no horário previsto para o debate, numa entrevista ao podcast Flow. A Reuters assinalou que o cancelamento retirou aos eleitores a possibilidade de assistir a um confronto final entre candidatos a poucos dias da votação.

O episódio ganha peso adicional porque Lula e Flávio Bolsonaro são os dois nomes que concentram a maior parte das intenções de voto. A ausência de ambos impediu um confronto direto entre os líderes das sondagens na fase final da campanha. Esta será, segundo dados apurados, a primeira vez em 20 anos que uma primeira volta presidencial brasileira termina sem um confronto em debate entre os candidatos que ocupam as primeiras posições nas sondagens.

Os levantamentos divulgados nas últimas horas mantêm Lula numericamente à frente na primeira volta, embora os resultados variem conforme o instituto e a metodologia. O Datafolha divulgado a 1 de outubro registou 42% das intenções de voto para Lula e 38% para Flávio Bolsonaro. Augusto Cury apareceu com 4%, Ronaldo Caiado e Renan Santos com 3% cada, enquanto Romeu Zema registou 1%. Samara Martins, da Unidade Popular, e Wilson Grassi, do Democrata, também obtiveram 1%. Brancos e nulos representaram 5% e 2% declararam-se indecisos.

Considerando apenas os votos válidos, cálculo utilizado pela Justiça Eleitoral para determinar o resultado, o mesmo Datafolha colocou Lula com 45% e Flávio Bolsonaro com 40%. O levantamento registou ainda que 17% dos entrevistados admitiam poder mudar o voto, um indicador relevante para interpretar uma eleição que entra nos últimos dias de campanha.

O Datafolha ouviu 2.506 eleitores entre 28 de setembro e 1 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Numa eventual segunda volta entre os dois candidatos, o instituto registou Lula com 48% e Flávio Bolsonaro com 45%, diferença situada dentro da margem de erro.

Outros institutos apresentam diferenças nos números, mas mantêm os mesmos dois candidatos nas primeiras posições. A RealTime Big Data, divulgada a 1 de outubro, registou Lula com 43% e Flávio Bolsonaro com 39%. Renan Santos apareceu com 4%, enquanto Augusto Cury e Ronaldo Caiado tiveram 3% cada e Romeu Zema registou 1%. Foram entrevistados 2.000 eleitores entre 26 e 30 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

A AtlasIntel/Bloomberg, num levantamento realizado entre 23 e 28 de setembro com 5.005 participantes e margem de erro de um ponto percentual, registou Lula com 45,3% e Flávio Bolsonaro com 42,2%. Renan Santos alcançou 5,2%. Na simulação de segunda volta, Flávio registou 47,7% e Lula 47,6%, uma diferença de apenas 0,1 ponto percentual.

Já a Quaest, divulgada a 28 de setembro, colocou Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 34%. Augusto Cury e Ronaldo Caiado registaram 4% cada e Renan Santos 3%. A pesquisa ouviu presencialmente 2.004 eleitores entre 24 e 27 de setembro e tem margem de erro de dois pontos percentuais. Na simulação de segunda volta, Lula e Flávio apareceram com 42% cada.

A Palver apresentou um quadro diferente na primeira volta, com empate numérico entre os dois principais candidatos: Lula e Flávio Bolsonaro registaram 44% cada, enquanto Renan Santos apareceu com 8%. Na simulação de segundo turno, Flávio teve 47% e Lula 45%, diferença dentro da margem de erro do levantamento.

Outro indicador da polarização aparece na rejeição. Segundo o Datafolha divulgado nesta reta final, Lula e Flávio Bolsonaro registaram ambos 45% de rejeição, ou seja, a percentagem de entrevistados que declarou não votar no respetivo candidato.

Apesar da concentração da disputa nos dois primeiros colocados, a eleição presidencial conta com 12 candidaturas validadas pelo TSE: Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Rui Costa Pimenta, Samara Martins, Romeu Zema, Hertz Dias, Edmilson Costa, Renan Santos, Wilson Grassi, Clariana Barão e Augusto Cury.

No domingo, os brasileiros escolherão também governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais. A votação decorrerá das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. Para a Presidência da República, haverá segunda volta a 25 de outubro caso nenhum candidato ultrapasse 50% dos votos válidos no primeiro escrutínio.

As últimas sondagens descrevem uma eleição com Lula numericamente à frente em vários levantamentos na primeira volta e Flávio Bolsonaro na segunda posição, enquanto as simulações de segunda volta apresentam diferenças pequenas ou empates dentro das margens de erro em diferentes institutos.

Ígor Lopes

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