Brasil: Câmara dos Deputados terá 183 estreantes em 2027 e PL forma maior bancada

As eleições brasileiras de 4 de outubro definiram a nova composição também da Câmara dos Deputados para a legislatura que começa em 1 de fevereiro de 2027. Dos 513 parlamentares eleitos, 183 exercerão o primeiro mandato na Casa, o que corresponde a uma taxa de renovação de 35,67%. Outros 301 deputados conseguiram a reeleição, enquanto 29 antigos parlamentares que não integravam a atual legislatura regressam à Câmara.

O principal resultado partidário foi a ampliação do Partido Liberal. O PL elegeu 121 deputados federais, mais 24 do que em 2022, e terá a maior bancada da Câmara. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, surge em segundo lugar, com 88 parlamentares. Na sequência, a Federação União Progressista, que reúne União Brasil e PP, conseguiu 87 lugares, enquanto PSD e Republicanos elegeram, respetivamente, 43 e 41 deputados.

A dimensão da bancada do PL, ligado a Jair Bolsonaro, reforça a presença parlamentar do campo político associado a Flávio Bolsonaro, que disputa a segunda volta das presidenciais contra Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os nomes ligados ao espaço político bolsonarista estão vários deputados reeleitos e novos parlamentares. Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, renovou o mandato com 3.119.314 votos e tornou-se o deputado federal mais votado do país. Em São Paulo, Lucas Pavanato, também do PL, foi eleito com 3.038.438 votos, a segunda maior votação nacional. O partido teve o candidato mais votado em 11 das 27 unidades da Federação.

São Paulo concentra alguns dos nomes que passam a integrar ou permanecem no campo político próximo de Flávio Bolsonaro. O PL conquistou 19 das 70 vagas do estado, contra 17 em 2022. Entre os eleitos estão Lucas Pavanato, Renato Bolsonaro, Luiz Philippe de Orleans e Bragança, Capitão Augusto, Marco Feliciano, Mario Frias, Delegado Paulo Bilynskyj e outros representantes da sigla. Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro, chega pela primeira vez à Câmara. Em Santa Catarina, Jair Renan Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, também foi eleito deputado federal.

O campo político ligado a Lula mantém, por sua vez, presença relevante através da Federação Brasil da Esperança. PT, PCdoB e PV somam 88 deputados eleitos, seis a mais do que na eleição anterior. Na Bahia, um dos principais redutos eleitorais do atual presidente, a federação conquistou dez lugares na Câmara, mantendo o número obtido em 2022.

Entre os nomes do PT que estarão na nova legislatura encontram-se parlamentares reeleitos e figuras que regressam à Câmara. João Paulo Cunha, antigo presidente da Câmara dos Deputados, voltou a ser eleito por São Paulo depois de ter exercido mandatos em legislaturas anteriores. No mesmo estado foram eleitos, entre outros, Jilmar Tatto, Alencar Santana, Arlindo Chinaglia, Carlos Zarattini, Edinho Silva, Nilto Tatto, Kiko Celeguim e Juliana Cardoso.

A votação também produziu resultados individuais com projeção nacional fora dos dois principais polos presidenciais. Erika Hilton, do PSOL de São Paulo, foi reeleita com cerca de 1,6 milhão de votos e tornou-se a mulher mais votada do país para a Câmara. Em São Paulo, Sâmia Bomfim, do PSOL, Kim Kataguiri, do Missão, e Tabata Amaral, do PSB, também renovaram os seus mandatos.

A renovação de 35,67% mostra uma continuidade superior à registada no Senado. Enquanto 183 deputados chegam ao primeiro mandato, 301 parlamentares conseguiram permanecer na Câmara. O sistema proporcional, que considera os votos atribuídos aos candidatos e às respetivas legendas ou federações, contribui para que o desempenho partidário tenha impacto direto na distribuição das 513 cadeiras.

A nova configuração parlamentar será determinante para o presidente que assumir o mandato em 2027. Nenhum dos principais blocos terá sozinho os 257 votos necessários para formar maioria absoluta na Câmara. Tanto Lula como Flávio Bolsonaro, dependendo do resultado da segunda volta presidencial, terão de construir acordos com partidos do centro e outras bancadas para aprovar projetos de lei, medidas económicas, alterações constitucionais e outras matérias que dependem do Congresso.

Para já, o resultado das urnas deixa uma Câmara mais fragmentada em diferentes blocos, mas com o PL como principal força partidária individual da próxima legislatura.

Ígor Lopes

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subescreve a Newsletter

Artigos Relacionados

Brasil: Eleições renovaram Senado e reforçam blocos ligados a Lula e Flávio Bolsonaro

As eleições brasileiras de 4 de outubro provocaram...

0

Brasil: EUA e Austrália decidem fechar representações no país por “razões de segurança” a dois dias das eleições

Os Estados Unidos suspenderam, na passada sexta-feira, 2...

0

Brasil vai à segunda volta com resultados distintos entre o país e a diáspora

O Brasil terá uma segunda volta das eleições...

0