A violência terrorista continua a ameaçar os profissionais da educação em Cabo Delgado que desde 2017 perderam 16 professores por assassinatos em acções terroristas
Nesta segunda-feira (12), celebra-se o Dia do Professor moçambicano, uma data ainda marcada por insegurança que continua a afectar a província de Cabo Delgado e gerar profunda preocupação entre os profissionais da educação.
Ao revelar o dado nesta segunda-feira, 12 de Outubro, na sede do distrito de Metuge, a secretária provincial da Organização Nacional dos Professores (ONP), Atija Assane,
afirmou que a insegurança volta a colocar em evidência a vulnerabilidade dos professores que trabalham numa província assolada por ataques terroristas.
Atija Assane defendeu embora não tenham sido registados assassinatos de professores em 2026, a ausência de novos casos não significa que a classe esteja livre de perigo. Pelo contrário, os ataques terroristas continuam a alimentar o sentimento de insegurança entre os docentes, levantando receios quanto à protecção dos profissionais e à continuidade do processo de ensino e aprendizagem.
Perante este cenário, Atija Assane apelou ao fim da violência, defendendo a necessidade de garantir condições de segurança para que os professores possam exercer as suas funções sem medo e assegurar que as crianças tenham acesso contínuo à educação.
Para além da violência armada, a ONP manifestou preocupação com as mortes de profissionais da educação provocadas por diferentes doenças. De acordo com Atija Assane, cerca de 48 professores perderam a vida desde Outubro do ano passado, dos quais 10 são mulheres.
Por sua vez, o governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, anunciou a contratação de 215 professores em 2026, dos quais 87 são mulheres, bem como de 700 alfabetizadores.
O governante destacou igualmente a assistência social prestada a 176 profissionais da educação e anunciou a implementação de actos administrativos que deverão abranger 12.044 funcionários, através de promoções, progressões e mudanças de carreira.