O Governo de Cabo Verde defendeu o reforço da cooperação entre os países de língua portuguesa para combater a escassez de água, melhorar a eficiência dos serviços de abastecimento e promover uma gestão sustentável dos recursos hídricos. A posição foi apresentada pelo ministro do Ambiente, Ação Climática e Energia, Carlos Alberto Ramos Varela, durante o Segundo Seminário Técnico da Comunidade da Água dos Países de Língua Portuguesa, realizado na cidade da Praia.
Na sua intervenção, o governante alertou que Cabo Verde perde mais de 50% da água produzida, considerando urgente a adoção de medidas para reduzir o desperdício e melhorar a eficiência das redes de distribuição. Carlos Alberto Ramos Varela sublinhou que a gestão da água é uma questão de soberania e sobrevivência para o arquipélago, devido à sua vulnerabilidade à escassez hídrica e aos efeitos das alterações climáticas.
Entre as soluções apontadas estão o reforço da dessalinização da água do mar, a reutilização de águas residuais tratadas para a agricultura, a rega de espaços verdes e a indústria, bem como o aproveitamento das águas pluviais. O ministro defendeu igualmente uma maior integração das energias renováveis nos processos de produção e bombagem de água, com o objetivo de reduzir os custos operacionais e tornar os sistemas de abastecimento mais eficientes.
O governante considerou que a partilha de conhecimentos e experiências entre os países lusófonos pode contribuir para reforçar as capacidades técnicas das instituições, promover a inovação tecnológica e mobilizar financiamento para o setor. O seminário, subordinado ao tema «Gestão dos Serviços de Águas nos Países de Expressão Portuguesa – Desafios, Experiências e Boas Práticas», contou com a parceria da Agência Nacional de Água e Saneamento (ANAS), da ACRH e da Water Services Consulting and Management (WSCM).
O programa incluiu debates sobre saúde pública, perdas de água e experiências de gestão dos recursos hídricos em Moçambique, Brasil, Cabo Verde e Portugal, incluindo o território continental e as regiões autónomas. A iniciativa pretende reforçar a cooperação técnica entre os países participantes e identificar medidas concretas para melhorar o abastecimento, reduzir as perdas e garantir uma utilização mais sustentável da água, um recurso essencial para o desenvolvimento económico e socia