A Guiné Equatorial defendeu, nas Nações Unidas, uma reforma profunda do Conselho de Segurança, exigindo o fim da exclusão histórica de África da representação permanente neste órgão. A posição foi apresentada pelo embaixador e representante permanente do país junto da ONU, Anatolio Ndong Mba, durante o debate da Assembleia Geral sobre a representação equitativa, o aumento do número de membros e a reforma do Conselho de Segurança, realizado em Nova Iorque.
Na intervenção, divulgada a 23 de Outubro de 2026, o diplomata reiterou o apoio de Malabo à posição comum africana, fundamentada no Consenso de Ezulwini e na Declaração de Sirte. Esta posição reivindica, para o continente, pelo menos dois lugares permanentes no Conselho de Segurança, com todos os direitos e prerrogativas associados, incluindo o direito de veto enquanto este existir, além de cinco lugares não permanentes.
Anatolio Ndong Mba criticou a lentidão das negociações intergovernamentais sobre a reforma do órgão, considerando que a sua estrutura continua condicionada pelas realidades diplomáticas e geopolíticas de 1945. Segundo o representante equato-guineense, a ausência de progressos concretos compromete a capacidade do Conselho de Segurança para responder com legitimidade e eficácia aos conflitos e às ameaças à paz internacional.
O embaixador sublinhou que a reivindicação africana não pretende obter privilégios, mas assegurar a participação efectiva do continente nas decisões que afectam o seu futuro. Recordou ainda que o Pacto para o Futuro, adoptado pelos líderes mundiais, reafirmou o compromisso de corrigir a injustiça histórica cometida contra África e de dar prioridade à questão no processo de reforma das Nações Unidas.
A delegação da Guiné Equatorial apelou, por isso, à comunidade internacional para ultrapassar a repetição de posições diplomáticas e avançar para negociações orientadas para resultados concretos. O país defende que a reforma do Conselho de Segurança deve reflectir melhor a diversidade e a realidade da comunidade internacional, reforçando os princípios de igualdade soberana, representatividade e legitimidade do sistema multilateral.