Pelo menos 3,6 milhões de pessoas enfrentam actualmente níveis elevados de insegurança alimentar aguda no Uganda, situação que poderá afectar 4,4 milhões de habitantes entre Fevereiro e Junho de 2027, segundo dados da Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC), divulgados nesta semana.
Ao que se sabe, a crise deverá atingir com maior intensidade os refugiados e as comunidades da sub-região de Karamoja, onde a escassez de alimentos e os casos de desnutrição constituem uma preocupação crescente. Uganda tem mais de 600 mil refugiados.
Entre as principais causas estão as alterações climáticas, a redução da produção agrícola, as pragas e doenças que afectam as culturas e os animais, bem como a subida dos preços dos alimentos.
O cenário nutricional também é preocupante, com cerca de 529 mil crianças dos seis aos 59 meses a sofrerem de desnutrição aguda, das quais 103.800 apresentam casos graves. O relatório estima ainda que 327.700 mulheres grávidas e lactantes enfrentam problemas de desnutrição e necessitam de assistência.
Perante a situação, o coordenador residente das Nações Unidas no Uganda, Leonard Zulu, defendeu esta terça-feira, a adopção de medidas urgentes para proteger as famílias vulneráveis e reforçar os sistemas alimentares.
Entretanto, a primeira-ministra ugandesa, Robinah Nabbanja, apelou igualmente aos parceiros de desenvolvimento e às organizações humanitárias para investirem em soluções duradouras que aumentem a produção local de alimentos.