A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, alertou esta quarta-feira para os riscos económicos crescentes das alterações climáticas, considerando que as ondas de calor, as secas e os incêndios florestais registados durante o Verão de 2026 constituíram um aviso sobre a vulnerabilidade da Europa perante fenómenos meteorológicos extremos. Num artigo publicado a 4 de Novembro, a responsável defendeu o reforço da protecção financeira contra estes riscos e a modernização do sistema energético europeu.
Segundo Lagarde, as ondas de calor provocaram mais de 30 mil mortes em excesso na Europa, enquanto os incêndios consumiram cerca de 400 mil hectares em Espanha e França. A seca reduziu também os níveis de água em grandes rios, como o Reno e o Danúbio, afectando as rotas de transporte fluvial e o arrefecimento de centrais nucleares. A presidente do BCE sublinhou que a Europa é o continente que aquece mais rapidamente, a um ritmo aproximadamente duas vezes superior à média mundial.
Embora os efeitos económicos imediatos deste Verão tenham sido relativamente limitados, Lagarde advertiu que os danos podem prolongar-se durante vários anos. Estudos citados pela responsável indicam que a actividade económica nas regiões afectadas por ondas de calor permanece, em média, 1,5% abaixo do nível esperado dois anos depois, enquanto as secas podem provocar uma redução de 3% ao fim de quatro anos. A responsável alertou ainda para os riscos sobre a produção agrícola, a inflação alimentar e a estabilidade das empresas, uma vez que quase três quartos das empresas da zona euro dependem fortemente de pelo menos um serviço fornecido pela natureza.
Lagarde destacou também a necessidade de tornar o sistema energético mais resistente às condições climáticas extremas. Embora o aumento da produção de electricidade a partir de fontes renováveis tenha ajudado a reduzir o impacto da subida dos preços do gás, as ondas de calor elevaram a procura de electricidade para climatização, enquanto a falta de água limitou a produção hidroeléctrica e a capacidade de arrefecimento das centrais nucleares. A energia solar foi a principal fonte de produção que apresentou um desempenho superior ao habitual durante os períodos de calor, mas a quebra da produção ao final do dia coincidiu com uma procura elevada e preços mais altos.
A presidente do BCE apontou três prioridades para a Europa: reforçar a protecção financeira contra catástrofes climáticas, incluindo através de um mecanismo europeu de resseguro público-privado; acelerar os investimentos nas redes eléctricas e em sistemas de armazenamento de energia; e facilitar o acesso das empresas à produção e ao armazenamento de electricidade nas próprias instalações. Lagarde defendeu ainda o envolvimento do sector privado no financiamento destas medidas e considerou que a cimeira climática COP31, que terá início na próxima semana em Antália, na Turquia, representa uma oportunidade para transformar os compromissos climáticos em acções concretas.