Uma pesquisa académica divulgada em Luanda afirma que China e Rússia aproveitam fragilidades institucionais de Angola para reforçar os seus interesses económicos e estratégicos.
O estudo, realizado ao longo de seis meses por quatro académicos e ativistas, não atribui a esses países a criação do sistema político angolano, mas sustenta que ambos beneficiam das suas fragilidades.
Segundo os investigadores, a China destaca-se pelo financiamento, enquanto a Rússia tem maior atuação nas áreas da segurança e informação. Entre 2002 e 2024, Pequim terá concedido mais de 49 mil milhões de dólares em financiamento a Angola, embora o estudo questione a transparência e aplicação desses recursos.
Os autores relacionam estes investimentos com a persistência da pobreza e com a concentração de riqueza numa pequena elite ligada ao poder.
A pesquisa também levanta preocupações sobre condições laborais em empresas chinesas e sobre o uso de tecnologias de vigilância, incluindo sistemas de reconhecimento facial e leitura de matrículas, devido à falta de mecanismos independentes de proteção de dados.
Para Florindo Chivucute, um dos responsáveis pelo estudo, Angola precisa de reforçar as instituições, combater a corrupção e garantir maior controlo sobre a utilização de recursos públicos e tecnologias de vigilância.