O Parlamento cabo-verdiano decidiu aprovar uma subida de 2% nas pensões da Administração Pública e do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), que serão atualizadas a partir de janeiro de 2026.
A decisão foi aprovada durante o debate na especialidade do Orçamento do Estado para 2026, através de 36 votos a favor do Movimento para a Democracia (MpD), nenhum voto contra e 26 abstenções do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) e da União Caboverdiana Independente e Democrática (UCID).
O PAICV e a UCID, formações políticas da oposição, consideram que o baixo aumento se trata de uma “insensibilidade” por parte do Governo para com o povo.
Segundo o político Julião Varela, do grupo parlamentar do PAICV, a abstenção do seu partido foi justificada com o facto de, desde 2016, a organização política que representa ter proposto atualizações de pensões anuais em linha com a inflação, que acumulou mais de 20% ao longo dos anos, mas que nunca foram aceites pelo Governo.
“Só agora, o Executivo apresenta um aumento de 2%, um ajustamento insuficiente face à perda de poder de compra dos pensionistas”, criticou, lembrando que o Governo costuma falar de um “crescimento económico de média de 7% ou 6% todo ano”.
Por sua vez, o deputado António Monteiro, da UCID, reforçou a crítica, após ter apresentado uma contraproposta de 5% de aumento, mas sem obter reação do Governo.
“Um aumento de 2% significa, por exemplo, que alguém que recebe 10.000 escudos passará a ter 10.200 escudos. Não chega para comprar um quilo de arroz. Esta falta de sensibilidade do Governo deixa os pensionistas, que tanto contribuíram para o desenvolvimento do país, desprotegidos”, concluiu.