A falha no planeamento de grandes investimentos, como estradas e aeroportos, entre 2010 e 2020, custou à Zâmbia cerca de 7,2 bilhões de dólares em perdas. Dos 27 projectos rodoviários avaliados nesse período, apenas 10 foram considerados investimentos viáveis.
Durante esses anos, registou-se uma redução drástica do financiamento destinado à manutenção das infraestruturas construídas, o que comprometeu a sua sustentabilidade. O valor caiu de 200 milhões para apenas 50 milhões de dólares.
A constatação é da Associação de Economia da Zâmbia, que desenvolveu um estudo intitulado “O investimento em estradas e aeroportos da Zâmbia impulsionou o crescimento ou aprofundou a dívida?”. O relatório aponta que a negligência na manutenção de estradas, por exemplo, resultou em perdas avaliadas em cerca de quatro bilhões de dólares.
A organização destaca ainda que, no período em análise, foram ignorados relatórios técnicos que alertavam para infraestruturas cujas decisões de implementação foram de natureza política, em detrimento do mérito económico.
Os investigadores indicam o Aeroporto Internacional Simon Mwansa Kapwepwe, em Ndola, como um dos exemplos de projecto mal-sucedido. A infraestrutura foi concebida para receber um milhão de passageiros por ano, mas actualmente atende apenas cerca de 300 mil utentes.