O Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniu-se esta segunda-feira num contexto diplomático profundamente alterado, após ataques dos Estados Unidos a Caracas e a detenção do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro. O debate expôs fortes divisões entre os Estados-membros quanto à legalidade e às consequências da operação norte-americana para a ordem internacional.
Os Estados Unidos rejeitaram a caracterização da acção como agressão militar, descrevendo-a como uma operação de aplicação da lei destinada a deter um fugitivo acusado de crimes relacionados com o narcotráfico e o crime organizado transnacional. O embaixador norte-americano afirmou que Maduro não é um chefe de Estado legítimo, na sequência das contestadas eleições de 2024, e sublinhou que não existe “guerra contra a Venezuela nem contra o seu povo”.
Em contraste, a Venezuela denunciou uma violação grave da sua soberania e classificou a operação como um ataque armado ilegítimo. O embaixador venezuelano acusou os Estados Unidos de bombardearem território nacional, causarem vítimas civis e militares e de “sequestrarem” o Presidente e a primeira-dama. Caracas apelou ao Conselho para condenar o uso da força, exigir a libertação imediata de Maduro e reafirmar os princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas.
Vários países da América Latina, como o Brasil, a Colômbia e o México, manifestaram preocupação com o precedente criado por uma acção militar unilateral, alertando para riscos de desestabilização regional. Por outro lado, países como a Argentina e o Paraguai apoiaram a intervenção, considerando-a um passo decisivo contra o crime organizado. Rússia, China e outros Estados advertiram que a normalização do uso unilateral da força ameaça a credibilidade do sistema internacional e os princípios basilares da Carta da ONU.