Um estudo recente do Banco Mundial concluiu que os trabalhadores assalariados tendem a obter rendimentos significativamente superiores aos trabalhadores autónomos em países de baixo e médio rendimento.
A análise, divulgada a 12 de fevereiro de 2026, baseou-se em dados de cerca de duas dezenas de países e mostra que, ao longo do tempo, os trabalhadores com contrato podem chegar a ganhar o dobro dos que trabalham por conta própria.
Segundo o relatório, a principal razão para esta diferença está nas oportunidades de aprendizagem e progressão profissional oferecidas pelo emprego assalariado. Ambientes organizados, trabalho em equipa e acesso a formação permitem que os trabalhadores desenvolvam competências e experiência, o que se traduz em aumentos salariais mais consistentes ao longo da carreira.
O estudo destaca também que empresas mais estruturadas criam melhores condições para o desenvolvimento de capital humano, conceito que inclui saúde, competências, conhecimento e experiência. Mesmo em empregos menos qualificados, o trabalho assalariado apresenta maior potencial de crescimento remuneratório do que o trabalho autónomo, que tende a oferecer menos oportunidades de formação e progressão.
O relatório aponta ainda o caso do Brasil como exemplo positivo, referindo programas de formação desenvolvidos em parceria com entidades como a Confederação Nacional da Indústria. O país apresenta níveis de aprendizagem profissional acima da média de economias comparáveis, superando a Índia, embora ainda abaixo dos Estados Unidos, onde o potencial de progressão profissional é mais elevado.
O Banco Mundial sublinha que o investimento em capital humano é essencial para o crescimento económico sustentável e a redução da pobreza. Segundo a instituição, políticas públicas que promovam educação, formação profissional e emprego formal são fundamentais para melhorar os rendimentos e as oportunidades económicas das populações.