A União Europeia abriu um novo capítulo nas suas relações com a Síria, na sequência da visita a Damasco da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa. A deslocação incluiu um encontro com o presidente sírio, Ahmed al-Shaara, e marcou o relançamento do diálogo bilateral após a queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024.
Esta nova etapa assenta em três pilares fundamentais: o apoio a uma transição política pacífica e inclusiva, a retoma da cooperação económica e comercial — incluindo a integração da Síria em iniciativas do Pacto para o Mediterrâneo — e um pacote financeiro europeu de cerca de 620 milhões de euros para 2026 e 2027. O financiamento destina-se a ajuda humanitária, recuperação inicial, reconstrução socioeconómica e estímulo ao investimento privado.
Ursula von der Leyen sublinhou que, após décadas de repressão e violência estatal, a Síria enfrenta agora um caminho exigente de reconciliação e reconstrução, que exigirá tempo, reformas eficazes e reforço da confiança nas instituições. A UE reconheceu os passos dados pelas autoridades interinas sírias e reiterou o seu compromisso em apoiar reformas políticas, económicas e institucionais que sustentem uma paz duradoura.
Desde 2011, a União Europeia mobilizou mais de 38 mil milhões de euros em apoio à Síria e aos países vizinhos. Em 2025, suspendeu todas as sanções económicas contra Damasco e reforçou o envolvimento com a sociedade civil síria. Bruxelas garante que continuará também a apoiar os refugiados sírios e as comunidades de acolhimento, mantendo a transição do país como uma prioridade estratégica para a estabilidade regional.