Líbano: Saúde mental das crianças no Líbano seriamente afetada pela guerra com Israel

Esta terça-feira foi marcada por novas ondas de violentos ataques aéreos Israelitas no sul de Beirute, a maioria ocorridos durante o dia. Alguns dos bombardeamentos foram capturados em vídeo por crianças durante as respetivas aulas, cujas atividades escolares foram abruptamente interrompidas por dezenas de explosões e destruição massiva de áreas residenciais à volta das escolas. Esta foi a primeira semana em que tais ataques ocorreram durante as aulas com os estudantes expostos aos perigos dos bombardeamentos Israelitas.

Apesar das condições críticas vividas no Líbano, especialmente após a escalada de violência bélica por parte de Israel desde o dia 23 de Setembro, o Ministério de Educação decidiu anunciar o início do ano letivo nos dias 7 de Outubro para as escolas privadas, e 4 de Novembro para os estabelecimentos públicos. 

A constante exposição à guerra tem causado não só ferimentos graves entre as crianças no Líbano – cuja população conta com mais de 3 mil mortos, cerca de 15 mil feridos e 1.5 milhões de pessoas deslocadas internamente (muitas delas a residir temporariamente em escolas convertidas em centros de refúgio) – mas também trauma psicológico e emocional. Segundo Dr Ghassan Abu-Sittah, cirurgião plástico Britânico-Palestiniano com experiência profissional em Gaza e agora em regime de voluntariado médico no Líbano, a reabilitação mental nas crianças poderá em muitos casos levar mais tempo do que a recuperação física. Abu-Sittah confessou ainda que tem observado crianças a regredir no seu progresso cognitivo e comportamental, com muitas a ter de voltar a usar fraldas, como resultado de níveis elevados de stress e trauma. O cirurgião indicou ainda que esta guerra no Líbano certamente deixará cicatrizes psicológicas que durarão várias gerações.

Entretanto, Imran Riza, Coordenador Humanitário da ONU para o Líbano (UNOCHA), alertou para o facto da população civil continuar a ser exposta a índices de violência sem precedentes, com a agravante de 8 hospitais terem sido encerrados devido aos danos causados pelos ataques Israelitas e de pelo menos 180 membros de equipas médicas Libanesas terem sido mortos por Israel desde o início da guerra.

Riza afirmou ainda que a proteção dos civis e respetivas infra-estruturas terão de ser asseguradas e que o direito internacional humanitário deve ser respeitado, e que para isso, esta violência terá de cessar imediatamente.

João Sousa, e-Global

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