O Fundo Monetário Internacional concluiu a consulta anual ao abrigo do Artigo IV com a Arábia Saudita, destacando a capacidade de resistência da economia saudita perante os efeitos da guerra no Médio Oriente e as perturbações no comércio internacional. O organismo afirmou que os fortes fundamentos económicos, as reservas financeiras, a diversificação das infraestruturas energéticas e logísticas e as reformas associadas à Visão 2030 ajudaram o país a absorver os impactos do conflito.
Segundo a avaliação do FMI, a economia saudita entrou em 2026 com um forte dinamismo, depois de ter registado um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,6% em 2025. A recuperação da produção petrolífera após os cortes da OPEP+ e o desempenho robusto dos setores não petrolíferos impulsionados pela procura interna contribuíram para este resultado. A inflação manteve-se controlada, abaixo dos 2%, enquanto o mercado de trabalho continuou sólido, com níveis historicamente baixos de desemprego entre os cidadãos sauditas.
O organismo internacional alertou, contudo, que a guerra regional e a quase interrupção do transporte marítimo através do Estreito de Ormuz afetaram o comércio, incluindo as exportações de petróleo, e reduziram a confiança dos investidores. Apesar disso, a Arábia Saudita conseguiu limitar parte do impacto através da utilização de infraestruturas alternativas, como o oleoduto Leste-Oeste, que permite encaminhar petróleo para portos do Mar Vermelho. O FMI prevê que o crescimento económico abrande para 1,7% em 2026, antes de recuperar para 5,5% em 2027.
O FMI considera que uma normalização gradual do tráfego marítimo permitirá uma recuperação da atividade económica, apoiada pelo consumo interno, pelos investimentos públicos e pelos grandes projetos ligados à Visão 2030. A inflação deverá aumentar ligeiramente para 2,2% em 2026, devido sobretudo ao aumento dos custos de transporte e seguros, enquanto as receitas petrolíferas deverão ajudar a reduzir o défice orçamental e externo.
Os diretores do FMI recomendaram que Riade mantenha políticas prudentes para preservar a estabilidade económica, defendendo uma redução moderada do défice primário não petrolífero em 2026 e uma consolidação orçamental gradual no médio prazo. O organismo elogiou ainda os progressos da Visão 2030, que ao longo de uma década permitiu aumentar o peso do setor privado, diversificar a economia, melhorar a participação das mulheres no mercado de trabalho e reforçar áreas como logística, digitalização e investimento. O FMI sublinhou, no entanto, que a continuidade das reformas será essencial para garantir um crescimento sustentável e reduzir a dependência das receitas do petróleo.