As famílias da zona euro estão cada vez mais expostas às grandes empresas tecnológicas norte-americanas. Segundo o BCE, detêm cerca de 440 mil milhões de euros em ações de empresas como a Nvidia e a Alphabet, contribuindo indiretamente para o financiamento do crescimento da inteligência artificial nos EUA.
O problema, segundo o BCE, não é a falta de dinheiro na Europa, mas a dificuldade em direcioná-lo para empresas com potencial de crescimento. As famílias da zona euro mantêm perto de 10 biliões de euros em depósitos bancários e cerca de 80% não possuem ações, obrigações ou fundos de investimento.
Enquanto isso, os grandes grupos tecnológicos norte-americanos preparam investimentos superiores a um bilião de dólares até 2028 em centros de dados, chips, energia e outras infraestruturas de IA. Parte deste financiamento chega também através de obrigações compradas por fundos, seguradoras e regimes de pensões europeus.
A Europa continua atrás dos EUA na capacidade de computação para inteligência artificial. O BCE estima que os Estados Unidos concentrem cerca de 75% da capacidade mundial, contra apenas 5% na Europa, apesar do potencial de crescimento da produtividade associado à IA.
A União Europeia procura inverter esta tendência através da União das Poupanças e dos Investimentos e de medidas destinadas a facilitar o acesso das empresas aos mercados de capitais. O desafio passa não apenas por mobilizar mais poupanças, mas também por criar condições para que empresas tecnológicas europeias consigam crescer, chegar à bolsa e competir à escala internacional.