Após meses de greves e negociações intensas, foi alcançado um acordo salarial entre o governo federal alemão, as autoridades locais e os sindicatos, pondo fim ao conflito laboral no setor público que afetou serviços essenciais em todo o país. O entendimento baseia-se, em grande parte, numa proposta apresentada por um painel de mediação nomeado por ambas as partes no final de março.
Este painel — composto por especialistas independentes, muitas vezes designados como “árbitros” — é um mecanismo habitual na Alemanha para desbloquear negociações laborais.
A sua proposta serve de base para retomar o diálogo quando as conversações estão num impasse, como foi o caso neste processo.
O novo acordo coletivo abrange mais de 2,5 milhões de trabalhadores e terá uma duração de 27 meses, com efeitos retroativos a 1 de janeiro de 2025.
Os funcionários terão um aumento salarial de 3% a partir de abril deste ano (com um mínimo de 110 euros), seguido de uma nova subida de 2,8% em maio de 2026.
O 13.º mês será reforçado, bem como os subsídios de turno.
Além das melhorias salariais, o pacote inclui medidas para maior flexibilidade laboral.
A partir de 2027, os trabalhadores terão direito a mais um dia de férias e poderão converter parte do 13.º mês até um máximo de três dias de descanso adicionais. Nos hospitais municipais, será possível, de forma voluntária, aumentar o horário de trabalho até 42 horas semanais.
A ministra do Interior, Nancy Faeser, saudou o acordo como um compromisso justo em tempos economicamente difíceis, sublinhando o esforço orçamental do governo. Já Frank Werneke, líder do sindicato Verdi, admitiu que se trata de um acordo exigente, mas necessário.
Segundo dados apresentados durante as negociações, o setor público enfrenta uma escassez de 570 mil trabalhadores e uma vaga de reformas nos próximos anos.
Os representantes dos empregadores e dos trabalhadores concordaram na importância de melhorar as condições laborais para atrair e reter profissionais.