A crise humanitária em Moçambique continua a agravar-se, com mais de 577 mil pessoas ainda deslocadas internamente no norte do país devido à insurgência armada na província de Cabo Delgado. Desde 2017, ataques de grupos extremistas ligados ao Estado Islâmico têm forçado centenas de milhares a abandonar as suas casas, destruindo infraestruturas e interrompendo serviços essenciais.
Além do conflito, eventos climáticos extremos, como a passagem de três ciclones entre dezembro de 2024 e março de 2025, agravaram a situação, afetando comunidades já vulneráveis e provocando cerca de 175 mortes. Estes desastres naturais contribuíram para o aumento do número de deslocados, que ultrapassa atualmente 800 mil pessoas em todo o país.
Em resposta, o governo moçambicano lançou um plano de assistência humanitária avaliado em 709,6 milhões de euros, visando melhorar o acesso a serviços básicos e promover soluções duradouras para os deslocados internos. No entanto, apenas 25% do financiamento necessário foi desembolsado até março de 2025, comprometendo a eficácia das ações previstas.
A situação é particularmente crítica para mulheres e crianças, que enfrentam riscos acrescidos de violência de género, separação familiar e acesso limitado a serviços de saúde e educação. Organizações humanitárias alertam para a necessidade urgente de apoio internacional para evitar o agravamento da crise e garantir a proteção e dignidade das populações afetadas.