O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, reafirmou, durante visita à França nos últimos dias, o empenho do Brasil na organização de uma COP30 centrada na ação climática concreta, agendada para novembro, em Belém do Pará.
Lula sublinhou o esforço que o país tem desenvolvido para “assegurar a presença dos principais líderes mundiais no evento, com o objetivo de promover um debate sério sobre mecanismos de financiamento internacional para enfrentar as alterações climáticas”.
Ao justificar a escolha de Belém, Lula destacou a importância de mostrar ao mundo, “sem filtros”, a realidade da Amazónia. “Não é apenas floresta. São 30 milhões de pessoas, indígenas, extrativistas, pequenos produtores, pescadores, muitos deles em situação de pobreza”, afirmou Lula, que explicou que “a preservação da floresta exige investimento efetivo por parte das nações industrializadas, que ao longo da história acumularam responsabilidades ambientais”.
Parcerias institucionais ganham relevância
Um dos pontos centrais destacados pelo presidente brasileiro foi a articulação com governadores e autarcas da região amazónica, considerados fundamentais no combate ao desmatamento e às queimadas. “Se não estiverem connosco, não conseguiremos vencer. O presidente da câmara é o primeiro a sentir o cheiro do fumo, a perceber se o incêndio foi acidental ou provocado”, disse.
Lula voltou também a criticar a falta de cumprimento dos compromissos assumidos pelos países desenvolvidos no que diz respeito ao financiamento climático, sublinhando que a “dívida ambiental”, segundo estimativas de especialistas, já ultrapassa 1 mil milhão de dólares. “Se tivessem começado antes, não seria tanto. Agora acumularam. E vamos ver na COP se querem tratar o tema com seriedade”, afirmou.
Após o encontro em Paris, Lula seguiu para Nice, onde participou na Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, dedicada ao “Objectivo de Desenvolvimento Sustentável 14” da Agenda 2030, que visa a “conservação e utilização sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos”.
Com cerca de oito mil quilómetros de costa, o Brasil assume um papel central na discussão sobre os ecossistemas marinhos e costeiros. “O oceano é um bioma vital para o planeta. Muitas vezes pensa-se que, por ser grande, aguenta tudo. Mas quando se deita plástico e esgoto ao mar, um dia ele reage. E pagamos a conta no turismo, na pesca e nas comunidades costeiras”, advertiu Lula.
Ígor Lopes