China: Biotecnologia chinesa surpreende e supera inteligência artificial nos mercados

Enquanto o mundo continua centrado nos avanços da inteligência artificial, é a biotecnologia chinesa que está a surpreender os mercados em 2024. O índice Hang Seng Biotech valorizou mais de 60% este ano, ultrapassando mesmo os gigantes da IA em rentabilidade.

Este crescimento foi impulsionado por dois acordos bilionários com farmacêuticas ocidentais: a norte-americana Pfizer licenciou um tratamento experimental contra o cancro da chinesa 3SBio por cerca de 1,16 mil milhões de euros e investiu ainda mais 93 milhões de euros em ações da empresa.
Pouco depois, a Bristol-Myers Squibb assinou um contrato de 10,7 mil milhões de euros com a BioNTech, envolvendo uma molécula desenvolvida pela chinesa Biotheus.

Estes negócios reforçaram a perceção de que a China já não é apenas uma promessa no setor da biotecnologia, mas sim uma potência consolidada. Empresas como a RemeGen, especializada em anticorpos terapêuticos, viram as suas ações disparar mais de 250%, e o interesse por novas ofertas públicas (IPOs) está em alta.
Parte deste dinamismo é explicado pelo regresso de talentos — investigadores e executivos chineses que trabalhavam nos EUA e que agora lideram startups e centros de inovação no seu país de origem.

Portugal observa este fenómeno com crescente atenção.
O histórico de cooperação na área da saúde, como ficou evidente durante a pandemia, pode servir de base para futuras parcerias tecnológicas. O foco chinês na ciência aplicada, com potencial para produção em larga escala e democratização do acesso, é particularmente relevante para sistemas de saúde como o português.

Neste novo panorama global, aproximar-se da biotecnologia chinesa pode ser uma estratégia vantajosa — não só em termos económicos, mas também para garantir acesso a tratamentos de ponta e participar nas grandes decisões sobre o futuro da saúde mundial.

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