Um estudo publicado na revista The Lancet revelou que a administração Trump alterou de forma discreta dezenas de conjuntos de dados de saúde nos Estados Unidos, removendo referências ao “género” e substituindo-as por “sexo biológico”.
As modificações ocorreram entre o final de janeiro e março de 2025, pouco depois de Donald Trump tomar posse, e afectaram bases de dados geridas por agências como os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC).
Dos 232 conjuntos de dados analisados, cerca de metade sofreu alterações significativas, mas apenas 15 mencionaram essas modificações.
Na maioria dos casos, não foi prestada qualquer explicação pública, levantando preocupações sobre a transparência e integridade científica dos dados.
Os autores do estudo, os professores Aaron Kesselheim (Harvard Medical School) e Janet Freilich (Universidade de Boston), afirmam que as mudanças podem estar ligadas a uma ordem executiva de Trump que visa eliminar “ideologias de género” da administração federal, promovendo a definição estrita de dois sexos: masculino e feminino.
Embora não esteja claro se os números estatísticos foram modificados, os investigadores alertam que a simples alteração de terminologia pode comprometer a forma como os inquiridos respondem a estudos, afectando a qualidade e fiabilidade dos dados.
As conclusões levantam preocupações sobre o impacto político na ciência e a possível inutilização de bases de dados essenciais para investigadores em todo o mundo.